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Origens Antigas do Natal

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Você já pensou que podemos traçar as origens da festa natalina até antes do catolicismo? Confira nesta leitura


O dia 25 de dezembro se tornou uma das datas mais importantes da humanidade há séculos, mesmo que nem todas as religiões a comemorem. Tradicionalmente, é o dia em que os cristãos celebram o nascimento de Cristo. No entanto, esta data em especial ou próxima a ela, traz consigo muitos costumes que foram originalmente associados ao Natal, oriundas de antigas tradições pagãs, principalmente na celebração do solstício. 

 

Hoje, historiadores aceitam o fato de que o Natal possui seu coração pagão interior. Quando começou a ser comemorado apenas no século IV EC, outras tradições, no mesmo período, como a egípcia, celta e a romana festejavam e celebravam a chegada do solstício de inverno. No solstício, o dia em que a noite se torna mais longa, os romanos festejavam no dia 25 de dezembro a Saturnalia. Na verdade, a Saturnalia começava dias antes e terminava dias depois, num espaço de quase uma semana de eventos.

Como não existe datação bíblica no Novo Testamento, a data verdadeira do nascimento de Jesus é desconhecida (por exemplo, há estudos astronômicos que indicam que um cometa realmente poderia ter passado e visto em Nazaré, mas apenas no ano V AEC, ou que a "estrela de Belém" fosse a projeção do alinhamento entre Saturno e Júpiter, ou que Maria poderia ter concebido em dezembro e dado à luz em setembro, assim como há outros estudos). O Papa Julio I (337-352) no século IV, acabou formalizando o dia 25 de dezembro, exatamente no mesmo período das celebrações da Saturnalia. Alguns estudiosos especulam que o Papa escolheu a data em razão de criar uma alternativa cristã para a festa pagã. Mas também existe outra razão que seria, em 274 EC, o imperador romano Aureliano declarou o dia 25 de dezembro como data de nascimento do Sol Invictus.

Como resultado da proximidade das datas, a população europeia continuou a celebrar os costumes tradicionais da Saturnalia em associação com o Natal. A antiga tradição era muito influente no povo. Durante a Reforma Protestante, procurou-se revisar ou até abolir completamente esses resquícios, e alguns dos esforços foram até bem-sucedidos mas, em outros lugares, esses costumes continuaram. O costume de dar presentes, decorar casas, árvores  e acender velas pertence anteriormente à prática romana da sigillaria. Então, quando o cristianismo se tornou a religião oficial, em Roma, não foi difícil associar a Saturnalia à estas celebrações pagãs.

Menos de um século depois, com a formalização do Papa Júlio I, a mesma data foi colocada como o aniversário de Cristo, justamente em cima das comemorações pagãs existentes.

A Saturnalia Romana

 

Comemorado por vários dias na segunda quinzena de dezembro, era feito em homenagem a Saturno. A Saturnalia acabou deixando seus traços e costumes nas tradições medievais e modernas. A famosa árvore de Natal, sinalizava para o romano, o retorno da vida e  da luz, já que o solstício de inverno significava que os dias estavam começando a ficar mais longos e as noites maiores.  Tinha-se o costume de pendurar maçãs nas árvores (o que depois os italianos começaram a usar as bolinhas vermelhas de vidro). 

Yule

O uso do visco, que no entanto, foi iniciado pelos celtas druidas, era incorporado pelo seu poder de cura graças à força e energia do carvalho, que era sagrado. Era costume, se alguém cruzasse com outra pessoa na floresta, ela daria um ramo de visco em sinal da paz. Nesse período do solstício, as pessoas penduravam viscos nas portas, como um símbolo de paz e proteção. O visco era visto inicialmente como um símbolo tão forte do paganismo celta e romano que as primeiras igrejas chegaram a proibir o seu uso.

 

Entre os povos celtas, germânicos e nórdicos, a palavra "Yule", por exemplo, deriva de festivais de solstício de inverno realizados para encorajar o otimismo e a boa sorte durante o inverno. Com a chegada do cristianismo nas terras do Norte, os costumes que eram totalmente pagãos e prevalecia a adoração à natureza, também foi outro modo da Igreja celebrar o Natal sobre o Yule, transformando-o na celebração de Jesus. 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

>>> E você sabia que os puritanos que chegaram na América do Norte, como sabiam de todas essas raízes pagãs do Natal, o proibiram por quase 50 anos?
 


Mas, em Kemet?

Os antigos egípcios costumavam decorar ciprestes e coníferas, fazendo guirlandas de flores para a celebração do Solstício de Inverno, homenageando Ra, o neter do Sol. Eles sabiam que o Sol se afastaria durante este período e, por isso, era importante estar atentos e esperançosos em passar por este momento sem a energia e vitalidade de sempre. A lógica é simples, menos Sol, menos energia e vida. Assim, o povo se reunia para esperar com suas casas repletamente decoradas com lamparinas e guirlandas de flores. 

Os antigos egípcios acreditavam que o solstício simbolizava o triunfo da Ra sobre Apep, já que depois do solstício, ele retorna ao seu processo natural na Barca de Milhões de Anos. O solstício significa “o sol está parado” em latim. Por isso, o solstício de inverno é uma festa que surgiu destas observações.

Em Kemet, essa data coincidia com as águas do Nilo recuando das margens. À medida que recuava gradualmente, uma colheita surgia no solo úmido deixado para trás, criando as condições perfeitas para um festival de inverno. Existem vários Neteru relacionados ao solstício. Há mitos como a de User (Osíris) onde conta-se que quando foi assassinado por Set, Aset (Ísis), o teria encontrado em partes e o devolveu à vida no dia 25 de dezembro. Assim, sua morte e ressurreição simbolizam o pôr e o nascer do Sol. 

 

Nesse período, eles celebravam decorando suas casas com folhas verdes de tamareiras, simbolizando imortalidade, um triunfo da vida sobre a morte. E, no final da época, o fruto já estava pronto para ser colhido, coincidindo com o solstício. Isso pode sugerir uma conexão entre a palmeira, coníferos e os festivais de inverno posteriores. 

Segundo Moustafa Gadalla, Plutarco quando escreve "Moralia" (vol. V), diz sobre o caso de User:

“... e os que estavam na trama correram até ela e fecharam a tampa, que fixaram com pregos pelo lado de fora e também com chumbo derretido. Em seguida, eles carregaram o baú até o Nilo e o enviaram em seu caminho para o mar. Essa é a tradição. Eles também dizem que a data em que este feito foi feito foi o 17º dia de Athor [27 de novembro], quando o sol passa por Escorpião“.

 

Para Gadalla, esses fatos conforme relatados por Plutarco, testemunha viva dos mistérios keméticos, significam que o "desaparecimento da água", quando o Nilo volta ao seu nível mais baixo e a terra fica preta, as noites também ficam mais longas, a escuridão aumenta e a luz parece se extinguir, que é visto com muita atenção pelo povo.

 

A "trama" de Set, pelo seu poder da seca e da aridez, que controla e dissipa a umidade (a fonte do Nilo), são formas de perceber na natureza (Neteru) as condições para assegurar a vida (dar início à semeadura) e garantir a prosperidade. Ainda, segundo Gadalla, esse festival de solstício ainda é praticado pelos atuais egípcios, especialmente em Abu Sefain Mouled, festa esta que dura 40 dias, e são feitos jejuns, e que coincide com o 25 de dezembro.

Em um cálculo matemático das datas, Gadalla afirma que User, como símbolo lunar, está associado ao ciclo de 28 dias (4 semanas, onde a Enciclopédia Católica admite que o "Advento" é um período que abrange 4 domingos), sendo o primeiro domingo como 27 de novembro, e logo depois, o Advento de 28 dias. Como vimos, o dia 27 de novembro é a data da morte de User. Esse ciclo de 28 dias está também relacionado à ideia de regeneração representada quando User aparece com 28 hastes de trigo crescendo em seu caixão.

 

Para o estudioso egípcio, todos os elementos são de origem egípcia antiga. Nas antigas tradições, o rejuvenescimento após 28 dias (iniciando em 27 de novembro), marcam o fim em 25 de dezembro. Devido à falta de evidências históricas e arqueológicas que apóiam os relatos bíblicos de nascimento, vida e morte de Jesus, a igreja cristã estabeleceu datas que coincidiam com outras tradições pagãs e que eram já por milênios comemoradas pelos seus povos.

 

O 25 de dezembro cristão, assim, veio depois. baseado no calendário juliano.

Por Pablo Al Masrii

Fontes:

GADALLA, Moustafa. The Ancient Egyptian Roots of Christianity, 2ª ed. Tehuti Research Foudation. 2006.

GADALLA, Moustafa. Mística Egípcia. Ed. Madras. 2004.

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