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O Poder do Natrão e a Higiene como Vitalidade

O natrão usado no kemetismo revela a sua importância reconhecida pelas pesquisas científicas e como a necessidade de resgatar valores em tempos de crise são essenciais para os dias de hoje.

Natrão

A linha da raiz da palavra deriva do grego nitron, e depois para o latim natrium , em razão que no copta egípcio significa neṯry (de neteru, do antigo egípcio, que significa princípio divino). Assim, pela sua relação com o sagrado, é que se deu lugar ao termo "sal divino", usado em muitas regiões. Depois foi empregada no aramaico nithra, no hebraico neter e no árabe, natrun.

O que é o Natrão?

Natrão nada mais é do que uma mistura do carbonato de sódio (Na2 CO3 10H2O, ou o sal natural) com cerca de 20% de bicarbonato de sódio (NaHCO3). Algumas outras propriedades são encontradas em quantidades menores como cloreto de sódio e sulfato de sódio.

 

O Natrão é branco e incolor quando puro, variando, às vezes, para cinza ou amarelo, quando é impuro. Para termos uma ideia, o símbolo químico moderno que encontramos na Tabela Periódica para sódio é Na, uma abreviatura do elemento latino de Natrium, de Natrão. 

Hoje ainda, os depósitos de natrão são encontrados em leitos salinos de ambientes áridos.

Importância do natrão no Egito

Wadi El Natrun ou ao Vale de Natrão no Egito, era o lugar que era extraído o natrão para usos diversos. Os lagos alcalinos desse vale proporcionaram aos egípcios o bicarbonato de sódio. Mais tarde, os romanos o usavam para a fabricação de vidro. Assim, o natrão era colhido diretamente da mistura do sal de leitos de lagos secos de milhares de anos para uso na limpeza, higiene e medicina. Vejamos.

Wadi El-Natrum

Uso do natrão e do bicarbonato de sódio

O bicarbonato de sódio com sal tem uma grande variedade de usos hoje em dia. 

Higiene

Misturado com óleos, foi a primeira forma de sabão, altamente desinfectante. Ele se torna macio com a água, removendo gorduras e impurezas. Não diluído, o natrão era usado como limpador bucal. 

 

Como o bicarbonato de sódio absorve o cheiro do mofo, tornou-se um método confiável na antiguidade. Ele é propriedade indispensável em extintores de incêndio (químicos a seco BC como alternativa ao fosfato de diamônio que é mais corrosivo nos extintores ABC), usado para extinguir riscos.

A pasta de dentes que contém bicarbonato de sódio mostrou ser eficaz para um melhor branqueamento e até efeito na remoção de placas, mais do que as conhecidas pastas de dentes que não têm. Em lavatório bucal, tem propriedades abrasivas, neutraliza a produção de ácido na boca e é um antisséptico natural, no combate a infecções. Como solução para irrigação nasal também é eficaz. Foi usado na higiene dos olhos para tratar a blefarite (uma inflamação das pálpebras), com uma solução especial.

Agente de limpeza

 

Ainda hoje, o bicarbonato de sódio é usado em processos para remoção de tintas e corrosões, na formação de uma pasta. Ou comumente adicionado na limpeza de roupas como substituto do amaciante, removedor de odores e manchas, quando diluído em água morna.
 

Medicina

Na antiga medicina egípcia, o natrão era misturado como antisséptico no tratamento externo e interno. Para feridas e cortes, usando em emplastros. Mas eles sabiam que a superdosagem era um risco porque a ação do bicarbonato de sódio em quantidade maior se torna ligeiramente tóxico, além de irritar o aparelho gastrointestinal. Mas, até na medicina ocidental moderna, o bicarbonato misturado com água, é indicado como antiácido para tratar indigestão e azia.

 

O bicarbonato quando é intravenoso, torna-se uma solução aquosa usada para casos de acidose ou para insuficiência de íons de sódio no sangue, como na cura de overdoses de aspirina e antidepressiva tricíclica. Nos Papiros Médicos ele era aplicado topicamente em pasta, para aliviar picadas de insetos ou plantas venenosas, diminuindo seu inchaço.

Ele aumenta o nível de pH e adeque o pH desejável. Atualmente, alguns centros médicos usam o bicarbonato adicionado aos anestésicos, de forma a tornar as injeções menos dolorosas, como por exemplo, na solução usada em cirurgias nasais. Na década de 1920, descobriu-se que a sua ação aumenta a força óssea em pacientes que perdiam cálcio pela urina. Na década de 1960, sugeriu-se que dietas pudessem acrescentar uma quantidade pequena de bicarbonato, segundo os experimentos da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Essas experiências tiveram o efeito na redução na perda de cálcio em mulheres pós-menopausa. Nos esportes, o uso do bicarbonato demonstraram ser úteis como suplemento para os atletas em eventos baseados na velocidade.

Culinária

O natrão era usado para secar e preservar o peixe e a carne, pelas suas propriedades conservantes e antifúngicas. Ao cozinhar, muitos padeiros acrescentam o bicarbonato como agente de fermento, já que ele reage a componentes ácidos que estão na massa, provocando a sua expansão, forma e textura. Antes de lavar legumes e verduras, uma solução lhes dá uma cor brilhante, devido à sua reação com a clorofila. Também é bastante usado na cozinha asiática e latino-americana para amaciar carnes, por exemplo. Com alimentos, ele reage com os ácidos dos alimentos, como a vitamina C.

Inseticida natural

O natrão sempre foi usado como um antigo inseticida doméstico, no cortume e para esterilizar roupas, controle de pragas. Uma vez consumido, provoca a explosão de órgãos internos de insetos e na eliminação de fungos. Nos Estados Unidos, o bicarbonato está registrado na Agência de Proteção Ambiental como biopesticida (natural).

 

Religioso

 

O natrão foi usado em cerimônias de mumificação, de ritos diários e nas limpezas rituais no Egito. Ao absorver a água (com microorganismos), ele se comporta como um agente de secagem. Quando exposto à umidade, o natrão aumenta o pH, criando um ambiente hostil para bactérias. Desta forma, garantia a segurança dos corpos de luz dos falecidos e do físico dos sacerdotes, chamados de Wab (os Purificados).

 

Nos Textos da Pirâmide descreve-se as pastilhas de natrão, usadas como oferendas em ritos. 

 

Dizendo quatro vezes: você se purificou com natrão, juntamente com Horus e os seguidores de Horus.

Cinco paletas de natrão de Nekheb. Você se purifica e Horus se purifica. Você se purifica e Set se purifica. Você se purifica e Thot se purifica. Você se purifica e você está entre eles.”

 

"Ele foi purificado com água de natrão que são prescritos nas palavras de Neteru

 

Arte

 

Era adicionado junto ao natrão, o óleo de rícino, para fazer um combustível sem fumaça, o que permitia aos artesãos pintarem suas obras dentro de espaços internos sem ter o problema da fuligem.

E o declínio no uso?

Isso depende. O uso do natrão, tanto doméstico quanto na indústria, foi gradualmente sendo substituído por compostos de sódio e minerais intimamente relacionados. Hoje, as propriedades do detergente agora são fornecidas comercialmente, substituindo o natrão,  juntamente com outros produtos químicos. No entanto, a sua eficácia natural continua sendo a mesma.

>>> Uma Consagração do Natrão

1 vela

1 vasilha

1 kg sal grosso marinho

500 gr de bicarbonato

 

Mexer e triture tudo. Para um lavachão, pode-se utilizar o natrão com óleos essenciais e extratos de ervas coadas. 

As energias densas, provenientes de impurezas, físicas e extra-físicas, sobrevivem onde não há regularidade nas limpezas. Aquelas de baixa frequência e estagnadas, costumam gerar o que costumamos chamar de “miasmas” (do grego, “poluição”). Em diversas passagens nos Papiros Médicos, a higiene era assunto extremamente importante, tanto para sacerdotes (existe inclusive um título sacerdotal específico para as limpezas rituais) quanto para a população em geral. 

 

Os miasmas correspondem às formas nocivas e patológicas, o “ar noturno”, que confirmam a "teoria de epidemias". Um miasma é criado a partir da emanação de matérias orgânicas em decomposição, e por isso, as doenças eram disseminadas. A teoria foi aceita até o século XIX onde foi substituída pela teoria zimótica miasmata e a de germes.

 

Os médicos da antiguidade já conheciam sua natureza dual (física e extra-física), conforme vemos em textos antigos de chineses, gregos e egípcios como gases/ventos tóxicos. Assim, no kemetismo, a questão higiênica é uma constante que tem muita relação com a preparação pessoal da limpeza ritual no islamismo. De acordo com Heródoto, os egípcios: 

"têm costumes de beberem em xícaras e lavá-las todos os dias, usam roupas de linho brancas sempre recém lavadas. Os sacerdotes se depilam por todo o corpo a cada dois dias, para que nenhuma coisa imunda possa estar sobre eles quando ministram os serviços sagrados; estes se lavam em água fria duas vezes durante o dia e duas vezes novamente durante a noite, além de outros serviços religiosos que eles executam de número infinito. Há pão sagrado assado para eles (...)"

 

Encha as mãos em forma de concha com a água da vasilha com natrão e lave as mãos e o rosto por completo, recitando da seguinte forma:
 

Dua Mut (Louvor a ti Mãe)
Swab khaty (Limpa meu corpo)
Pekha’aby (Estou puro de coração)
Swab ankhy (Limpa minha vida)

Dua tu (Louvor a ti)
 

Dica para uso da Água Solarizada

Desinfecção solar da água ou também chamada de SODIS (SOlar water DISinfection). Trata-se de um método de desinfecção da água, com baixo custo onde se utiliza a ação dos raios ultravioletas para o consumo humano. Segundo a própria OMS, o método destrói bactérias como a Escherichia coli (enterite e meningite), Vibrio cholerae (cólera), Streptococcus faecalis (infecção urinária e meningite), Pseudomonas aeruginosa (pneumonia e infecções hospitalares), Shigella flexneri (disenteria), Salmonella typhi (febre tifoide), e alguns vírus, como o rotavírus e o oocistos.

 

Assim, os raios UV-A interferem diretamente no metabolismo das estruturas celulares das bactérias, destruindo-as. A radiação infravermelha aquece a água acima de 50 °C, como ideal, o que faz entrar em processo de desinfecção, três vezes mais rápida.

As propriedades do sabão artesanal

Um sabão, como o conhecemos hoje, nada mais é do que uma fórmula de sais de sódio solúveis em água com ácidos graxos. Os sabonetes historicamente, são muito antigos na humanidade. Poe exemplo, sabe-se que os babilônios fabricavam sabão a partir das gorduras cozidas em cinzas, usado na limpeza das lãs e do algodão das roupas. Mas, medicinalmente, ela é bem mais antigo, onde no Papiro de Ebers no Egito revela que se misturava óleos animais e vegetais com sais alcalinos (natrão) para produzir o que viria a ser o precursor do sabão.

 

Mais tarde, os fenícios usaram sebo de cabra e cinzas para criar sabão no século VI aC. e os romanos chegaram a ele só no primeiro século dC. Mas foram os celtas, da gordura animal com cinzas de plantas que nomearam o produto para saipo, da qual a palavra deriva.

O sabão artesanal é um produto de limpeza, feito com ingredientes naturais que podem ou não, incluir produtos vegetais e animais. Do óleo vegetal, como a mamona, oliva ou óleo de coco, se pode produzir sabões puros e até medicinais. Até o século XVII, quem fazia sabão eram as mulheres em casa.

Na fabricação das gorduras e óleos, envolve o aquecimento destes com líquidos alcalinos, como a água glicerinada (no processo industrial). Embora o sabão seja um bom agente de limpeza, a sua eficácia é reduzida pela qualidade desta água e da falta de sais minerais. São esses sais minerais que reagem para formar uma precipitação conhecida como espuma de sabão.

A ação de limpeza detergente é capaz de reagir no desalojamento de quaisquer partículas estranhas de uma superfície, tecido, sólida ou pele. A diferença entre o sabão artesanal (saboaria) e o industrial estão em seus componentes e na produção. Uns são originários de óleos e gorduras presentes na natureza orgânica e mineral, e os industriais são detergentes sintéticos encontrados somente no reino mineral. Quimicamente falando, os sabões industriais são compostos mais de sais e ácidos graxos sintéticos aromatizantes do que matérias primas naturais. 


A ação de limpeza do sabão

 

Quando o sabão é estimulado com a água, ele se torna em uma solução emulsificante, gera espuma. Isso faz com que penetre mais fácil em tecidos e desprenda impurezas e sujeiras. Como os sabonetes ainda eram, para a indústria, desperdiçados em quantidade, pensou-se em superar essas desvantagens, com a criação de agentes mais químicos, como os detergentes sintéticos. No entanto, do ponto de vista ambiental e da saúde, os detergentes sintéticos poluem a água e suas substâncias são perigosas para o organismo.

 
A preocupação da higiene, da qualidade dos produtos e ação contra as pandemias

Vimos que a higiene era praticada muitos milênios antes de existirem os órgãos internacionais da saúde estabelecerem leis. A questão da higiene, em Kemet (Egito), pelo menos, era um assunto sagrado. Homens e mulheres, qualquer situação ou condição social encaravam as purificações corporais de forma muito séria. Nas primeiras dinastias aparecem registros documentando o uso do banho para a limpeza dos seus corpos. 

 

Um dos objetivos maiores era o estado de higiene e de pureza completas. No mundo moderno, lavamos as mãos para comer, lavamos o rosto ao acordar, tomamos banho para sair. No mundo egípcio, o estado de pureza era permanente. Autores gregos e cristãos elogiavam a limpeza do povo egípcio. Os muçulmanos atuais mantém essa tradição até hoje, se lavando por completos antes da entrada em qualquer mesquita. A ducha era bem conhecida, usada na forma de peneira ou de cesta. Lavando-se, os egípcios usavam vasilhas e jarros com bicos, no qual colocavam a água e natrão.

 

Ao lavarem os dentes, desinfetavam a água com o natrão e, depois dos banhos, passavam diversas essências e unguentos, para cuidar do rigor climático e da saúde. Segundo Heródoto, a atenção dedicada pelos egípcios à higiene pessoal era extrema, onde ele diz que “apreciavam a limpeza acima da aparência agradável”. Assim, banhar-se várias vezes ao dia, era a base da higiene pessoal.

 

O seu “sabão” era o natrão, o bicarbonato, mais azeite, cinzas ou areia. A fabricação e uso de unguentos, cremes e perfumes fazia parte do cotidiano familiar. Maceravam plantas, flores e lascas de madeiras aromáticas cozidas em azeite ou água, para obter o óleo essencial que servia como base para a preparação dos óleos sagrados. 
 

Na medicina antiga e na religião, portanto, podemos dizer que a preocupação com a higiene estava acima de tudo. Com o passar do tempo, as sociedades foram mudando e sobrevieram grandes catástrofes como a Peste Negra, pragas, epidemias e pandemias. A falta de higiene e da ação médica eficaz foram uma das grandes responsáveis por estes males à humanidade.

E hoje, novamente, temos a proliferação da pandemia do coronavírus e, que da mesma forma, pode se disseminar por àquelas duas questões: falta de higiene e baixa imunidade (saúde). Com isto, voltamos a alertar para os riscos da negligência dos cuidados básicos de saúde e de higiene, principalmente das grandes metrópoles. Se antes, as epidemias ocorriam e eram vistas como desafios (quase sobrenaturais) a vencer, hoje, os mesmos problemas precisam ser repensados.

O coronavírus pode ser quebrado suas partículas com o uso correto do sabão e de seus derivados, pois dissolve a camada lipídica que envolve o vírus. Lavar apenas com água é muito menos provável que se elimine a ação viral da superfície da pele. O sabão, tal como o natrão (usado devidamente), contém compostos que são semelhantes aos próprios lipídios da membrana do vírus, e quando o sabão entra em contato, há uma ligação fazendo com que elas se desconectem do seu núcleo.


Procure sempre os sabonetes feitos de matérias-primas de qualidade superior, pois de nada adianta, estabelecer processos de "limpeza" se a saúde permanece em risco. Por exemplo, na saboaria artesanal, pode-se utilizar tinturas (extratos alcoólicos de ervas e plantas medicinais), que fazem o duplo combate: ajuda a eliminar impurezas da pele e têm ação interna fitoterápica ou mineral (argilas e pós). 

 

>>> Ex: Tintura de Benjoim (Styrax, ou Estoraque): resina extraída da árvore Styrax, muito usada na medicina natural europeia e oriental, de onde se obtém a benzoína. Como fixador de aroma, a tintura tem propriedades antissépticas, antifúngicas, cicatrizantes, antioxidante, expectorante, anti-inflamatória, diurética, calmante e sedativa. Assim, pode-se utilizar a tintura em cremes, bálsamos, pomadas, loções, perfumes e sabonetes.


Portanto, sirva-se da natureza. Obtenha o melhor do produto natural. Mudanças de hábitos e estilo de vida podem ser repensados, para que voltemos a atingir um grau de pureza como antes. O kemetismo, além de um movimento de reavivamento de antigas tradições, também é um movimento filosófico. Não consuma pelo consumismo. Pesquise, para que sejamos mais responsáveis com o interno e o externo.
 

Em Hotep.

Por Pablo Al Masrii

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