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As medicinas keméticas para imunidade

A medicina kemética, há muitos milênios atrás, podia diagnosticar, tratar e curar de muitas enfermidades e patologias que até hoje existem. Atualmente, ninguém mais nega a grande eficácia de medicinas tradicionais como a chinesa (MTC), a indiana (Ayurveda) e mesmo os conhecimentos populares da medicina natural (indígena e de interior). A farmacopeia kemética, uma das primeiras abordagens sistêmicas de classificação de ervas, remédios e tratamentos da humanidade, não perdeu sua eficiência. 

 

Mas para entender o conceito de medicina kemética, antes é importante entender o conceito de doença, saúde e vida. Sem isso, não pode haver conceito de medicina. Como a saúde e a medicina são vistas hoje em dia? Para os antigos egípcios, saúde (seneb) e vida (ankh),  eram princípios universais que regem tudo o que existe, dentro e fora de nós. Como assim?

 

Desde que surgiu e foi gerada a vida, criou-se uma harmonia entre as partes e o todo, chamada de Maat. No entanto, para poder existir equilíbrio, há necessidade de haver dualidade. Uma balança representa exatamente esse conceito, que é o símbolo de Maat. Isso significa que para haver vida, precisa ter equilíbrio e, por sua vez, para ter equilíbrio, precisa haver dualidade. Portanto, saúde e vida, devem ser contrabalanceadas com doença e morte, constantemente, em um ritmo onde o que prevalece é a justamente esta ordem.

Nos tratamentos terapêuticos keméticos, o exercício de cuidados aplicados, hoje seriam considerados como integrativos ou holísticos, porque eram baseados nos processos curativos de sua compreensão: dos corpos vitais da pessoa, da liberação de bloqueios vitais (canais de energia chamados de metu), do diagnóstico previsível nos livros médicos e do acompanhamento.

A prática dos cuidados tinham um poderoso efeito curativo, principalmente nas desordens crônicas e psicossomáticas. Os transtornos psicossomáticos são vistos hoje pela medicina ocidental como 70% das causas de centenas de doenças, algumas delas chamadas de idiopáticas (que não são encontradas causas). Muito a isso, se refere ao desequilíbrio de estilo de vida sedentários e prejudiciais, má alimentação, uso abusivo de fármacos, má qualidade de sono, etc.

 

Estas condições são geradas pelo agravo da aceleração nociva do mundo moderno, que possibilita um ganho em pessoas com ansiedade, depressão, estresse, fadiga, insônia e até infertilidade. A baixa imunidade é um dos principais fatores de risco para o aparecimento de doenças mais sérias. É o que iremos tratar aqui.

Muito da medicina kemética vinha dos anais de registros históricos até aquele momento presente. E nos livros, chamados de Papiros Médicos, a atenção dada à dieta (dietoterapia) tinha um papel relevante na saúde e no bem-estar: antes, durante e depois do tratamento. Os médicos (sunu) forneciam instruções prescritas a seus pacientes onde se incluía geralmente uma dieta. Isso porque a alimentação não era vista apenas como necessidade material ou de prazer, mas como preventiva (já que cada alimento era classificado em sua ação benéfica).

Mas, muito dos tratamentos recomendados nos Papiros Médicos eram ministrados na base de fármacos, em uma enorme variedade, que podiam ser de origem vegetal, mineral e animal. Os médicos egípcios eram renomados em suas áreas em todos os países vizinhos, incluindo Babilônia e Grécia. Na verdade, a medicina kemética tradicional, no seu método de diagnóstico e tratamento, era facilmente reconhecida na similaridade com aqueles que haviam na Europa até o século 19.

>>> Hoje, 30% dos componentes ativos que são usados na farmacologia provém diretamente das mesmas plantas que os egípcios tinham catalogado. Os mesmos princípios ativos foram identificados, porém, sintetizados para os dias de hoje. Não obstante, estima-se que 250 mil plantas em suas variadas espécies tem sido examinadas cientificamente pelo seu poder medicinal.

O combate ao caos no corpo

Os metu são os canais por onde passam as energias vitais. Quando esses canais não são ativados, por uma série de razões, eles permanecem bloqueados, o que ocasiona certos distúrbios psicossomáticos, chamados de wekhedu. A partir de então, toda sorte de corpos estranhos, miasmáticos, são proliferados e podem acometer a pessoa para uma patologia.

Assim, como forma de purgar esses miasmas corporais internos, os egípcios inferiam com maior força uma quantidade de práticas, que incluíam dietoterapia, compostos fármacos e, em última instância, intervenção física. Da mesma forma, o tratamento espiritual era feito utilizando fórmulas que atingissem diretamente os estados vibracionais daquela região.

Doenças parasitárias

As doenças parasitárias eram uma das causas maiores em enfermidades em Kemet, como por exemplo, o problema já conhecido da schistosomiasis, que hoje ainda atinge, segundo a OMS, 12% da população mundial. Essas doenças são graves até os dias de hoje no Egito. Como era grande e evidente o perigo de tais doenças, em uma das Leis de Maat ("Não envenenei as águas") das Confissões Negativas, postulavam de como esses parasitas eram problemáticos junto ao ser humano.

Alguns remédios para parasitas

Raiz de acácia; zimbro; óleo de cipreste; raiz de romã e artemísia. Entre os minerais: natrão, pó de malaquita e mel.

Entre as diversas infecções registradas nos Papiros Médicos encontramos para a schistosomiasis, filariasis, ascaris lumbricoides, taenia, plasmodium (malária), tuberculose, tétano, pasteurella pestis (pneumonia), varíola, etc.

Combate à asma

Como as cebolas, o alho foi usado no consumo humano, com o Homo Sapiens do Paleolítico há muitos milênios já sabendo de suas propriedades naturais. Do Papiro Hearst:

Um remédio para acalmar os canais (metu): raiz de acácia, natrão e alho moído em bandagem sobre os pulmões e fossas nasais.

Além disso, colares com alhos eram fabricados para pessoas mais fracas, onde se acreditava que o seu poder de expurgo, não somente eliminava os miasmas internos quanto os externos (na verdade, ele é conhecido por afastar toda sorte de insetos e répteis).

Outra receita que sobreviveu até entre os coptas egípcios modernos é:

Alho desidratado no sol, ferver com vinho. Beber por três dias.

Heródoto comentou que em inscrições dizia-se que os trabalhadores egípcios de pedreiras faziam ração extra de cebola, agrião e alho que eram consumidos em larga escala.

O zimbro também era importante, tanto usado na comida, quanto fumigado ou moído. Era usado como antisséptico, diurético e carminativo. No tratamento de asma, ele era macerado com:

1/8 de uvas, frankincense (incenso egípcio), 1/64 cominho, bagas de zimbro e vinho (ou vinagre). Fervido e misturado. Para ser tomado por quatro dias. Papiro de Ebers

Ajuda no trato respiratório

O poder da aloe vera (a babosa) tinha serventia para muitas funções medicinais em Kemet. No caso de dificuldade ao respirar, tanto egípcios quanto assírios prescreviam:

A fim de expelir o catarro pelo nariz: aloe vera, mirra seca e mel, por quatro dias. Papiro de Ebers

Ainda para tosse, a artemísia tinha popularidade até a Idade Média. No Papiro Hearst aconselha-se que seja bebido o extrato de artemísia junto com mel ou suco de tâmara. E ainda, pode inalar junto com mirra. Essa receita também serve para febres.

O uso do cardamomo também era importante como na função de unguento para combater febres:

Um unguento com gordura (substituível por óleos), frankincense, cardamomo, mirra seca, óleo de moringa e mel. Misture tudo e faça bandagem. Papiro de Ebers

Em Kemet, os figos são grandes e muito acessíveis. Eram consumidos frescos. secos ou cozidos. Os médicos receitavam observando as seguintes propriedades:

Para constirpação: beber leite com figo em jejum pela manhã;

Para problemas cardíacos: raiz de acácia, figos, mel, água. Filtre e beba toda noite por 4 dias.

para tratamento dos pulmões: mel, figos, fervidos em leite. Papiro de Berlin

Os gregos diziam que os egípcios possuíam incrivelmente muitas variedades de plantas da mesma espécie, muitas vezes, para testar sua eficácia. E uma delas era o tomilho. Do tomilho, da sua propriedade que se extrai o timol, servia para curar, expectorar, com função carminativa, antisséptica e anti-espasmódica, usado com mel no tratamento pulmonar.

Assim, da antiga tradição médica kemética, que passou para as escolas de Hipócrates, para todo o mundo romano, traduzido para o árabe, chegando ao latim, é uma das raízes mais evidentes para a nossa medicina natural. Estes ensinamentos foram eternizados em seus tratados médicos e continuarão a servir para a humanidade por muito tempo ainda.

Em tempo de pandemias, reforce seu sistema imunológico, causa importante das doenças de comorbidade e autoimunes.

Por Pablo Al Masrii

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